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sábado, março 12, 2011

Homilia - I Domingo da Quaresma – Ano A

Homilia – Pe. Paulo Nunes
Do Adão do paríso ao Adão do deserto
I Domingo da Quaresma – Ano A (Gn 2,7-9; 3,1-7; Sl 50; Rm 5,12-19; Mt 4,1-11)

Amados irmãos e irmãs,
A beleza da liturgia, deste I Domingo da Quaresma, coloca-nos frente ao mais perfeito modelo daquele que soube vencer as tentações do inimigo e suas forças: Jesus, verdadeiramente homem e Deus.

A liturgia, de hoje, nos apresenta o “Quadro das Tentações”, que se estabelece, especificamente, nas leituras do livro do Gênesis e do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus. Este quadro, apresenta-nos: dois cenários, dois personagens, o mesmo Espírito e o mesmo inimigo. O primeiro cenário é o Paraíso, e, neste, o diabo tenta Adão, o Primeiro homem, primogênito das criaturas. Criado por Deus, recebe, em sua criação o Espírito de Deus soprado em suas narinas (cf. Gn 2,7). Foi seduzido pelo pecado da autossuficiência, ou seja, quis ser igual a Deus e o critério avaliador para o que seja bom e mal; o segundo cenário é o Deserto: neste, o diabo tenta Jesus, que fora conduzido ao deserto pelo Espírito Santo (cf. Mt 4,1) e o seduz triplamente: pelo prazer, poder e ter.

Não obstante a estas realidades apresentadas nos cenários, aparentemente divergentes, encontramos dois personagens que agem diferentemente. O primeiro, Adão: foi criado com uma natureza boa, mas, mostra-se desobediente ao seu Criador, por isso, o pecado abunda a sua existência e marca toda espécie humana. Contudo, afasta-se de Deus, percebe-se nu, envergonha-se dos seus atos e toma conhecimento do mal que praticou. Adão se esconde e não se aceita pecador, logo procura um culpado: “a mulher, a serpente... (cf. Gn 3,12-13)”. Por isso, também, experimenta a morte, o maior inimigo, não somente a morte do corpo, mas a morte da alma. Porém, o outro personagem, Jesus Cristo, o Novo Adão: Filho Unigênito de Deus, é obediente ao Pai, obedece até a morte e morte de Cruz (cf. Fl 2,6-7). Seu gesto salvífico trouxe a salvação à humanidade inteira. Assim, nos diz Paulo: “Com efeito, como pela desobediência de um só homem a humanidade toda foi estabelecida numa situação de pecado, assim também, pela obediência de um só, toda a humanidade passará para uma situação de justiça” (Rm 5,19). Ao contrário de Adão, Jesus é o Cordeiro que tira o pecado do mundo (Jo 1,29), retira o homem da lama e devolve a sua alma ao Criador, estabelecendo a reconciliação (homem e Deus). Jesus, mesmo não sendo culpado, e muito menos pecador, fez-se pecado para nos salvar (cf. 2Cor 5,21), por isso, faz-nos experimentar da vida que brota do coração de um Deus apaixonado pelo homem e que não desiste de salvá-lo. Jesus vence o último inimigo e nos dá o bem mais precioso, a Vida Eterna, brotada da Cruz.

Nossos frutos, nesta liturgia, comportam não as tentações em si, mas o exemplo do Mestre que vence e nos oferece as ferramentas para também vencermos as tentações, de hoje. A continuação da perícope do Evangelho, desta liturgia, nos mostra que depois de Jesus ser tentado, partiu para a sua missão: o anuncio do Reino de Deus. No entanto, o diabo deixa-o, para retornar em outra ocasião oportuna. Irmãos e irmãs, na missão que abraçamos, haverá sempre tentações e, também, provações, pois levar com fidelidade o que cremos, é lutar e passar pela tentação e pela provação. Se, por um lado, a tentação do diabo nos leva ao pecado, a provação, por outro lado, nos leva a graça vivificante de Deus: o que muda é a consequência de um e de outro. Entretanto, Jesus nos oferece os instrumentos mais eficazes para a luta contra estas tentações: o Jejum e a Sua Palavra.

As tentações de Jesus aconteceram no Deserto, as de Adão, no Paraíso. Ou seja, não existe lugar, a não ser o céu, que seja sem obstáculos, sem tentação ou sem provação. Jesus fez do Jejum a sua pujança para livrar-se das forças do mal, seja pelo prazer, pelo poder ou pelo ter. O jejum, portanto, tem poder de nos libertar de nossas amarras, superar as tentações e as nossas autossuficiências. Também, para cada tentação do diabo, ele usou a Palavra de Deus, mesmo que distorcida. Mas, pela própria Palavra, Jesus, o Senhor da vida, não se traiu, trouxe a Verdade e venceu o mal.

Peçamos a Deus, nesta Quaresma, o dom e a graça de vencermos as nossas tentações, seja de querer ser igual a Deus, seja de querer dominar as coisas e pessoas e, ainda, seja de mal servir-se dos bens da criação, tornando o nosso meio ambiente, poluído e devastando sem medidas, deixando, a própria criação, doente e escassa. Que o nosso Jejum seja capaz de produzir em nós, vida. E, que a nossa dedicação no estudo, na leitura orante e na busca incessante de saborear-se com a Palavra de Deus, nos fortaleça e nos aqueça na fé em Deus. Que as dádivas da Quaresma nos ajudem na conversão: a oração, na nossa relação com Deus; o jejum, na relação com as coisas; e, a caridade, na relação com o próximo.
Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo!

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